"Sertralina, a maconha para intelectuais..."
Uh, gostei disso.
Pena que no meu caso é maconha para loucos mesmo.
play the song we made
domingo, 5 de junho de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Dizem que felicidade não se mede, assim como o amor, a amizade e todos os outros sentimentos que as pessoas no geral tentam universalizar. Minha felicidade tem a medida certa, eu digo. Tem forma, cor, tamanho e conteúdo que só eu conheço. Tem uma intensidade que atinge todos os sentidos do meu corpo. É aquele brinquedo que você nunca quis dividir pois ninguem saberia usá-lo como você. É aquele passo de dança que você inventa enquanto dança sozinho em seu quarto, de olhos fechados e a musica ali, pertinho de seu ouvido, como que pra não perder o frescor que perderia se estivesse sendo executada aos quatro ventos. É minha dança solitária, que faço como se não houvesse ninguem por perto, e de fato, não há. Nunca há, só há eu e minhas notas musicais, meu baixo gutural, meu sintetizador pulsante e otimista e meus pensamentos reinventados. Só há eu, e essa é a felicidade que eu encontrei pra mim, com um ar de tristeza sem o qual ela não sobreviveria. Minha felicidade é tão humana que nem mesmo ela sabe viver sem a tristeza. Minha felicidade tem medida sim, pois ela não é igual a de ninguem, é minha, é a sintese do que eu sou. Felicidade nao é um conceito tão abragente que não possamos abarcar nos limites de nós mesmos. O que não tem medida é a ignorância e o ódio, nos cegando até de nós mesmo. Isto sim, não se mede em nenhum padrão.
terça-feira, 1 de março de 2011
Meu nome é Johnny Marco, algo ali, na barreira tênue entre o nada e o big bang.
Um morto carregando o sorriso mais aberto e trêmulo de todos os sorrisos de Hollywood. Sou mais do que aquela alegria estampada em um outdoor grande e otimista, mais do que a sinopse sugere das personagens que eu pareço tão adequado a fazer.
Sozinho em meu apê decerto eu passaria a você uma impressão de mistério, aquele mistério que te atrai pela aparente complexidade do meu silêncio. Não se engane, querida, esse não é o silêncio dos compenetrados, esse é o silêncio gritante, dos desesperados, que te pede socorro no meu vazio de alma. É um grito abafado, daqueles que mergulhados não passam de uma coisa indefinida, que se perde no caminho. Esse sou eu mergulhado em um mar frio, indo contra a maré e por ela, voltando ao mesmo ponto. E é nessa mesma maré que oscilo numa velocidade medida pelo painel do meu carro, que pela cidade conduzo, e pela cidade, dou voltas intermináveis.
Eu sou o Johnny Marco, sujando os lençóis com o meu perfume doce e o meu gozo intenso e triste ao mesmo tempo. Conheço cheiro de todas as putas dos arredores do hotel, um cheiro que se impregnou de tal forma que chego a pensar que na verdade elas é quem me foderam. Busco em uma, a qualidade da outra. Busco em outra, o defeito incorrigivel e único de uma.
Eu sou a porra do Johnny Marco. Essa conjugação do verbo ser me incomoda e a merda do final do filme não acontece. Quero rasgar a camisa de força que me prende a essa loucura estática, quero explodir em um big-bang, quero criar o(s) meu(s) mundo(s)...
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Pensar em rotina me aterroriza, e pensar que isso só se intensifica ao longo dos anos só lapida esse meu medo, cuja origem eu simplesmente desconheço. Essa coisa de viver por horários, períodos, atrasos, check in, check out e a terrível previsão de que amanhã serão os mesmo rostos e a mesma realidade estática de uma vida padronizada não me permite que eu me entregue. E por entregar não quero dizer que eu realmente tenha a intenção, mas quando isso acontece você obtém um certo conforto fácil e aparente. Não, quero encontrar o meu conforto, quero viver ao meu alcançe e não ao dos outros, quero viver da forma mais autoral, que faça sentido, em primeira instância, a mim. Não quero me engravatar todo dia pela manhã, indo ao abate da forma mais elegante que alguem pode ir. Não quero ter uma casa com cerquinha, mulher e 2 filhos. Não quero ter que passar por exames e entrevista que inutilmente vão buscar qualidades que não tenho nem em meu âmago para oferecê-los. Eu quero a plenitude de uma semana sem dias, de dias sem horas e horas exaustivamente gastas em minha tentativa de ser feliz. Talvez eu nunca encontre essa coisa abstrata que chamam de "felicidade", se fosse mais concreto, estariam mais ao alcançe dos ignorantes. Mas felizmente não tento a encontrar por meios fáceis. Quero que ela me teste, que me sussurre: "Venha!Estou mais perto do que você pensa." e eu, como alguém que procura os óculos que já se encontram em seu rosto, a procure, e percorra todo o caminho, com pedras ou não, até ela. Quero tudo isso e muito mais. Tal qual James Dean, em seus trajes e trejeitos, repulsivamente invejável em sua juventude transviada. A voz de comando diz: "SER!". Bato continência e obedeço anarquicamente.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Engraçado como hoje eu só penso em você quando estou bêbado. Passadas algumas horas e muitas cervejas, eu já estou pouco consciente, de tal forma que só consigo lembrar de quando esse estado de estupor, como se a qualquer momento eu fosse cair - seja por um beijo dado com vontade ou de tanto te procurar no escuro - durou mais do que apenas uma noite. Eu estava embriagado, não de amor, mas de algo que me mantia fora de mim tempo o suficiente para que a ressaca fosse algo destrutivo. E agora, muito tempo depois de todas as doses de sexo, do seu cheiro e daquele seu sorriso que você ostentava nessa carinha linda e ordinária, escondendo algo tão seu que eu nunca saberia o que era - nem ao menos sóbrio - , tudo não passa de uma porre que durou tempo demais e sempre que eu bebo é aquela velha sensação nostálgica das besteiras que fizemos outrora.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Eu adoro esses momentos que você se acha capaz de dar nome a cada uma de suas emoções, de uma maneira tão prazerosa, que viver se torna mais desafiador, no sentido em que você para e percebe o quanto você mudou em tão pouco tempo, não apenas você, mas todas aquelas coisas materiais ou não. Certa vez eu ouvi dizer - provavelmente em um desses filmes que tanto tinham significado para mim mas eu não sabia o porquê - que a única maneira de superar um velho amor é transformando-o em literatura. Mas o que na verdade eu descobri é que, muito mais, você consegue superar a si mesmo, e todo aquele conceito de amor-refúgio não faz mais o menor sentido pra você. Afinal, eu não passo de um clichê ambulante, exaltando sua "auto-estima" e "amor-próprio" aos 4 cantos do mundo, como se tivesse acabado de ler um livro de auto-ajuda. O fato é que esse ano me serviu como catarse e o que eu mais quero é continuar, à minha maneira, à minha luz e à minha literatura, tentando dar nome a toda essa loucura diária que vai muito além daquela que eu imaginei que meus 18 anos trariam. Quero continuar escrevendo, sendo o Deus da minha vida, por essas linhas tortas que refletem justamente tudo o que eu sou.
"You're halfway to fully grown
You've got a real good shot
You've got so much inside
Let it come right out"
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