quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011


Pensar em rotina me aterroriza, e pensar que isso só se intensifica ao longo dos anos só lapida esse meu medo, cuja origem eu simplesmente desconheço. Essa coisa de viver por horários, períodos, atrasos, check in, check out e a terrível previsão de que amanhã serão os mesmo rostos e a mesma realidade estática de uma vida padronizada não me permite que eu me entregue. E por entregar não quero dizer que eu realmente tenha a intenção, mas quando isso acontece você obtém um certo conforto fácil e aparente. Não, quero encontrar o meu conforto, quero viver ao meu alcançe e não ao dos outros, quero viver da forma mais autoral, que faça sentido, em primeira instância, a mim. Não quero me engravatar todo dia pela manhã, indo ao abate da forma mais elegante que alguem pode ir. Não quero ter uma casa com cerquinha, mulher e 2 filhos. Não quero ter que passar por exames e entrevista que inutilmente vão buscar qualidades que não tenho nem em meu âmago para oferecê-los. Eu quero a plenitude de uma semana sem dias, de dias sem horas e horas exaustivamente gastas em minha tentativa de ser feliz. Talvez eu nunca encontre essa coisa abstrata que chamam de "felicidade", se fosse mais concreto, estariam mais ao alcançe dos ignorantes. Mas felizmente não tento a encontrar por meios fáceis. Quero que ela me teste, que me sussurre: "Venha!Estou mais perto do que você pensa." e eu, como alguém que procura os óculos que já se encontram em seu rosto, a procure, e percorra todo o caminho, com pedras ou não, até ela. Quero tudo isso e muito mais. Tal qual James Dean, em seus trajes e trejeitos, repulsivamente invejável em sua juventude transviada. A voz de comando diz: "SER!". Bato continência e obedeço anarquicamente.