terça-feira, 1 de março de 2011


Meu nome é Johnny Marco, algo ali, na barreira tênue entre o nada e o big bang.
Um morto carregando o sorriso mais aberto e trêmulo de todos os sorrisos de Hollywood. Sou mais do que aquela alegria estampada em um outdoor grande e otimista, mais do que a sinopse sugere das personagens que eu pareço tão adequado a fazer.
Sozinho em meu apê decerto eu passaria a você uma impressão de mistério, aquele mistério que te atrai pela aparente complexidade do meu silêncio. Não se engane, querida, esse não é o silêncio dos compenetrados, esse é o silêncio gritante, dos desesperados, que te pede socorro no meu vazio de alma. É um grito abafado, daqueles que mergulhados não passam de uma coisa indefinida, que se perde no caminho. Esse sou eu mergulhado em um mar frio, indo contra a maré e por ela, voltando ao mesmo ponto. E é nessa mesma maré que oscilo numa velocidade medida pelo painel do meu carro, que pela cidade conduzo, e pela cidade, dou voltas intermináveis.
Eu sou o Johnny Marco, sujando os lençóis com o meu perfume doce e o meu gozo intenso e triste ao mesmo tempo. Conheço cheiro de todas as putas dos arredores do hotel, um cheiro que se impregnou de tal forma que chego a pensar que na verdade elas é quem me foderam. Busco em uma, a qualidade da outra. Busco em outra, o defeito incorrigivel e único de uma.
Eu sou a porra do Johnny Marco. Essa conjugação do verbo ser me incomoda e a merda do final do filme não acontece. Quero rasgar a camisa de força que me prende a essa loucura estática, quero explodir em um big-bang, quero criar o(s) meu(s) mundo(s)...